Hidantina é um dos agentes anti-epilépticos de maior utilização, mostrando-se eficaz na maior parte das formas de epilepsia, como é o caso de epilepsia generalizada: crises do tipo tónico-clónico (grande mal) e pequeno mal. Hidantina é usada em Cardiologia para:
- tratamento de arritmias auriculares ou ventriculares associadas à intoxicação por digitálicos;
- arritmias ventriculares surgidas durante a anestesia, cateterismo cardíaco e cirurgia cardíaca;
- profilaxia das arritmias recidivantes, quer supraventriculares, quer ventriculares.
2. ANTES DE TOMAR HIDANTINA
Não tome Hidantina
-Se tem alergia (hipersensibilidade) à substância activa (fenitoína ou a outras hidantoínas) ou a qualquer outro componente de Hidantina.
-Está também contra-indicado na bradicardia sinusal, bloqueio sino-atrial, bloqueio A-V de segundo e terceiro graus, em doentes com síndrome de Adams-Stokes e em doentes com perturbações graves da função hepática.
- Se é de origem taiwanesa, japonesa, malaia ou tailandesa e as análises demonstraram que é portador da variante genética CYP2C9*3.
Tome especial cuidado com Hidantina
Deve controlar-se regularmente a fórmula sanguínea e vigiar o estado do doente (fadiga, palidez, febre).
A fenitoína pode afectar o metabolismo da glucose. Já foi notificada hiperglicemia e aconselha-se cuidado no tratamento de doentes diabéticos.
Um controlo anual de fosfatase alcalina sérica, permite detectar uma eventual osteomalácia medicamentosa, a qual reage à Vitamina D.
A fenitoína está altamente ligada às proteínas e é extensivamente metabolizada no fígado; pode ser necessária uma redução na dose de manutenção em doentes com função hepática insuficiente, para prevenir a acumulação e a toxicidade. Quando a ligação às proteínas está reduzida, como na uremia, os níveis séricos de fenitoína estão reduzidos em conformidade.
APROVADO EM 01-03-2023 INFARMED
Os produtos naturais ou extractos vegetais contendo Hypericum perforatum não devem ser utilizados concomitantemente com Hidantina, devido ao risco de diminuição das concentrações plasmáticas de Hidantina, e consequente diminuição dos seus efeitos terapêuticos (ver secção Tomar Hidantina com outros medicamentos).
Utilizar com cuidado no idoso ou doente debilitado, ou em qualquer condição associada a níveis baixos de albumina, o que aumenta a fracção livre da fenitoína e a resposta farmacológica. Sedação, estados confusionais ou disfunção cerebelosa (perda da coordenação motora) podem ocorrer com elevadas concentrações ou com baixas concentrações, quando a fracção livre de fenitoína se encontra aumentada. A descida rápida poderá causar estados de epilepsia.
Um pequeno número de pessoas que iniciaram tratamento com antiepilépticos como a Hidantina teve pensamentos de auto-agressão e suicídio. Se a qualquer momento tiver estes pensamentos deve contactar imediatamente o seu médico.
Podem ocorrer raramente reacções cutâneas graves durante o tratamento com Hidantina. Este risco pode estar associado a uma variante genética em pessoas de origem chinesa das etnias Han e Thai. Se tem ascendência nestas etnias e já foi identificado como portador desta variante genética (alelo HLA-B*1502), discuta este facto com o seu médico antes de utilizar Hidantina.
Existe um risco de efeitos nefastos para o feto se Hidantina for utilizado durante a gravidez. As mulheres em idade fértil devem utilizar métodos de contraceção eficazes durante o tratamento com Hidantina (ver “Gravidez e amamentação”).
Tomar Hidantina com outros medicamentos
Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.
- Fármacos que podem aumentar os níveis séricos de fenitoína incluem: cloranfenicol, anticoagulantes à base de cumarina, sulfafenazol, derivados de acetilureia, sulfonamidas, dicumarol, disulfiram, isoniazida, cimetidina, sultiamo, fenilbutazona, tolbutamida, salicilatos, clordiazepóxido, fenotiazinas, diazepam e alcoolismo agudo.
- Fármacos que podem diminuir os níveis séricos de fenitoína incluem: carbamazepina e abuso crónico de álcool; ácido fólico.
- Fármacos que podem aumentar ou diminuir os níveis séricos de fenitoína incluem: fenobarbital, valproato de sódio e certos antiácidos. O efeito da fenitoína sobre os níveis séricos do fenobarbital, ácido valpróico e
valproato de sódio são também imprevisíveis.
- Fármacos com potencial epilepticogénico, tais como os antidepressivos tricíclicos ou as fenotiazinas, podem precipitar convulsões em doentes susceptíveis e a dose de fenitoína pode necessitar ser ajustada.
- Fármacos cuja eficácia é reduzida pela fenitoína incluem: corticosteróides, dicumarol. doxiciclina, contraceptivos orais, quinidina, vitamina D, digoxina, rifampicina, estrogénios, furosemida, anticoagulantes (p. ex., rivaroxabano, dabigatrano, apixabano, edoxabano), lacosamida e ticagrelor.
- Fármacos cujos efeitos são melhorados pela fenitoína incluem a varfarina.
- Interferência com exames laboratoriais:
A fenitoína pode originar diminuição nos níveis séricos do iodo ligado às proteínas. Pode originar valores mais baixos que os normais para os testes da dexametasona ou da metirapona. A fenitoína pode causar aumento dos níveis séricos da glucose, fosfatase alcalina, gama glutamil-transpeptidase e diminuir os níveis séricos do cálcio e do ácido fólico.
-Acelera a degradação dos corticosteróides, bem como as sulfamidas incluindo os antidiabéticos deste tipo.
-A Hidantina desaloja os anticoagulantes dos locais de ligação proteica. É portanto necessário praticar provas de coagulação mais frequentes nos doentes tratados com estes medicamentos.
APROVADO EM 01-03-2023 INFARMED
-Os níveis séricos de fenitoína podem ser reduzidos pela utilização concomitante de preparações contendo Hypericum perforatum, atribuindo-se este facto à sua propriedade de induzir enzimas envolvidas na metabolização de determinados fármacos. Assim, as preparações contendo Hypericum perforatum não devem ser utilizadas simultaneamente com Hidantina. Caso o doente já se encontre a tomar qualquer tipo de preparação contendo Hypericum perforatum, os níveis séricos de anticonvulsivantes devem ser avaliados e deve ser suspensa a utilização de Hypericum perforatum. Pode haver um aumento dos níveis séricos de anticonvulsivantes após a suspensão de Hypericum perforatum, pelo que a dose de anticonvulsivante pode necessitar de ser ajustada.
O efeito de indução enzimática do Hypericum perforatum pode persistir pelo menos durante duas semanas após a suspensão da sua utilização.
Para além das interacções acima referidas devem ainda ser consideradas as interacções da fenitoína com as seguintes substâncias: acetaminofeno, acetazolamida, aciclovir, alopurinol, disopiramide, propafenona, amiodorona, SAS, antineoplásicos (cisplatina, bleomicina, carmustine, metotrexato), benzodiazepinas, betabloqueadores e antagonistas dos canais de cálcio, capecitabine, ciprofloxacina, ciclosporina e tacrolimus, substratos do CYP2B6, CYP2C8/9, CYP2C19, CYP3A4, indutores do CYP2C8/9, CYP2C19, inibidores do CYP2C8/9, CYP2C19, digoxina, dopamina, inibidores da HMG-Coa reductase, itraconazol, levodopa, lítio, metadona, metronidazol, agentes bloqueadores neuromusculares, omeprazol, primidona, sucralfato, teofilina, hormonas tiróideias e ticlopidina.
Gravidez e amamentação
Consulte primeiro o seu médico ou farmacêutico antes de tomar qualquer medicamento se está grávida, pretende engravidar ou está a amamentar.
Hidantina pode causar graves defeitos de nascença. Se tomar Hidantina durante a gravidez, o seu bebé tem até 3 vezes mais probabilidades de ter um defeito de nascença do que no caso das mulheres que não tomam medicação antiepilética. Foram comunicados defeitos de nascença graves, incluindo anomalias do crânio, face, unhas, dedos e coração. Alguns destes defeitos podem ocorrer em conjunto, como parte de uma síndrome da hidantoína fetal.
Foram comunicados problemas do neurodesenvolvimento (desenvolvimento do cérebro) em bebés nascidos de mães que utilizaram fenitoína durante a gravidez. Alguns estudos demonstraram que a fenitoína afeta negativamente o neurodesenvolvimento de crianças expostas à fenitoína no ventre materno, ao passo que outros estudos não detetaram tal efeito. A possibilidade de um efeito no neurodesenvolvimento não pode ser excluída.
Se é uma mulher em idade fértil e não está a planear engravidar, deve utilizar contraceção eficaz durante o tratamento com Hidantina. Hidantina pode afetar a forma como os contracetivos orais, tais como a pílula, atuam e pode torná-los menos eficazes a evitar uma gravidez. Fale com o seu médico, o qual irá conversar consigo sobre o tipo de contraceção mais adequado para utilizar enquanto estiver a tomar.
Se é uma mulher em idade fértil e está a planear engravidar, fale com o seu médico antes de parar a contraceção e antes de engravidar sobre mudar para outros tratamentos adequados, para evitar expor o feto à fenitoína.
Se está grávida ou pensa estar grávida fale imediatamente com o seu médico. Não deve parar de tomar o seu medicamento até ter falado sobre isso com o seu médico. Parar a medicação sem consultar o seu médico poderá causar crises que podem ser perigosas para si e para o seu feto. O seu médico poderá decidir mudar o seu tratamento.
A fenitoína atravessa a barreira placentária. Durante a gravidez o medicamento não deve ser administrado senão após avaliação da relação entre o benefício terapêutico esperado e o risco para a mãe e filho. O risco pode ser mantido a um nível mínimo, reduzindo a dose e controlando, se possível, os níveis sanguíneos.
Todas as mulheres em idade fértil (com possibilidade de engravidar) deverão receber aconselhamento médico especializado antes de iniciarem o tratamento, devido ao aumento do risco de malformações congénitas.
O tratamento com medicamentos anti-epilépticos deverá ser reavaliado sempre que a mulher pretenda engravidar.
APROVADO EM 01-03-2023 INFARMED
O risco de malformações congénitas é 2 a 3 vezes maior nos descendentes de grávidas medicadas com anti- epilépticos. As malformações mais frequentes são dos lábios e cavidade oral, aparelho cardiovascular e tubo neural.
O tratamento com vários anti-epilépticos (politerapia) poderá estar associado a um maior risco de malformações congénitas relativamente ao tratamento com um único medicamento (monoterapia). Sempre que possível deverá ser utilizado um regime de medicamento único (monoterapia).
O tratamento com anti-epilépticos não deverá ser interrompido subitamente uma vez que pode aumentar o risco de crises epilépticas com consequências graves para a mãe e/ou para o feto.
Há alguma evidência de que a fenitoína pode originar anomalias congénitas na descendência de um pequeno número de doentes com epilepsia. Deste modo, a fenitoína não deve ser usada como fármaco de primeira escolha durante a gravidez, especialmente no seu início, a menos que o médico considere que o potencial benefício se sobreponha ao risco.
Além da incidência aumentada de malformações congénitas em crianças de mulheres que receberam fenitoína e outros agentes antiepilépticos, foi mais recentemente descrita a síndrome fetal de hidantoína. A síndrome consiste na deficiência de crescimento pré-natal, microencefalia e deficiência mental nas crianças de mulheres que receberam fenitoína, álcool, barbitúricos ou trimetadiona. No entanto, todas estas situações estão interrelacionadas e estão frequentemente associadas com atraso de crescimento intrauterino devido a outras causas.
Há relatórios isolados de malignidades, incluindo neuroblastoma, em crianças de mulheres que receberam fenitoína durante a gravidez.
Devido à absorção alterada de fenitoína ou do seu metabolismo durante a gravidez uma pequena percentagem de doentes experimentou um aumento na frequência das convulsões; avaliações periódicas da fenitoína sérica servem como guia valioso para ajuste apropriado da dose no tratamento da epilepsia durante a gravidez. Tem sido relatado defeitos de coagulação neo-natais ocorrendo nas primeiras 24 horas em bebés nascidos de mulheres recebendo fenitoína. A vitamina K pode ser usada para prevenir ou corrigir este defeito e pode ser administrada à mãe antes do parto e ao recém-nascido após o parto.
A fenitoína é excretada em pequenas quantidades no leite materno, pelo que não se aconselha o aleitamento nesta situação.
Condução de veículos e utilização de máquinas
As reacções do doente podem ser diminuídas, exigindo-se prudência na condução de veículos e utilização de máquinas.